Como já falamos anteriormente em outros artigos, a gestão da qualidade é essencial para garantir que as organizações forneçam produtos e serviços confiáveis e de alta qualidade. Para isso, é preciso utilizar ferramentas e técnicas que permitam identificar e mitigar os riscos associados aos processos produtivos e aos produtos/serviços oferecidos. Nesse contexto, destaca-se o FMEA (Failure Mode and Effects Analysis), que é uma ferramenta utilizada para identificar, avaliar e prevenir falhas em produtos, processos e sistemas.
O FMEA (Failure Mode and Effects Analysis), também conhecido como análise de modos de falha e seus efeitos, é uma ferramenta importante para a gestão da qualidade, pois permite que as organizações identifiquem e previnam falhas potenciais em produtos e processos.
O uso do FMEA permite que as organizações antecipem possíveis problemas e tomem medidas preventivas antes que as falhas ocorram. Isso reduz os custos associados a falhas em produtos, processos e sistemas, bem como os custos de retrabalho e reparo. Além disso, a utilização do FMEA pode melhorar a eficiência e eficácia dos processos, aumentar a satisfação do cliente e melhorar a reputação da empresa.
A aplicação do FMEA envolve a identificação de falhas potenciais, a avaliação do impacto dessas falhas e a implementação de ações para prevenir ou mitigar essas falhas. Para isso, é importante envolver pessoas de diferentes áreas da organização e contar com a participação dos fornecedores e clientes, a fim de obter uma visão mais abrangente do processo ou produto em questão. O FMEA pode ser utilizado em qualquer setor da indústria, desde a fabricação de produtos até a prestação de serviços. É uma ferramenta flexível que pode ser adaptada para atender às necessidades específicas de cada organização e pode ser utilizada em conjunto com outras ferramentas de gestão da qualidade, como o PDCA, e outras metodologia como o Six Sigma.
Para utilizarmos o FMEA da forma correta e aproveitarmos o potencial que ela tem, devemos iniciar compreendendo o que ela é.
O FMEA é uma técnica sistemática de análise de falhas que tem como objetivo identificar e avaliar as falhas potenciais (sejam elas em um produto, processo ou sistema), bem como seus efeitos e as causas subjacentes.
Ela é uma ferramenta proativa, ou seja, busca antecipar problemas antes que eles ocorram. A sua aplicação é realizada em etapas, que envolvem a identificação das falhas potenciais, a análise das causas e efeitos das falhas, a avaliação da gravidade, ocorrência e detecção das falhas, e a definição de ações para mitigar os riscos identificados.
O FMEA foi originalmente desenvolvido pela NASA (National Aeronautics and Space Administration) na década de 1960 como uma ferramenta para avaliar e reduzir riscos em sistemas complexos usados nas missões espaciais. A técnica foi criada para garantir a segurança dos astronautas durante as missões espaciais, em que os riscos associados a falhas no sistema poderiam ser fatais. Ela se mostrou tão eficaz que foi adotada em muitas outras indústrias e se tornou uma prática padrão para a avaliação e prevenção de falhas, que levou a técnica a se tornar uma prática padrão em muitas outras indústrias, incluindo a indústria automotiva, de aviação, de manufatura, entre outras. O FMEA é amplamente usado hoje em dia para avaliar e prevenir falhas em produtos, processos e sistemas.
Uma vez que o FMEA se tornou uma ferramenta amplamente utilizada, é natural que se desenvolvam modelos derivados para ser aplicados em situações específicas. Diante disso podemos destacar três tipos de FMEA, são eles:
O FMEA de design é utilizado durante o processo de desenvolvimento de um novo produto ou serviço. O objetivo é identificar e avaliar as potenciais falhas que podem ocorrer durante o ciclo de vida do produto ou serviço, desde o projeto até a sua produção e uso. O DFMEA é realizado com base nas especificações e características do produto ou serviço, a fim de garantir que ele atenda às necessidades e expectativas dos clientes. O DFMEA é uma ferramenta valiosa para garantir que o produto atenda às especificações do cliente e normas regulatórias.
o FMEA de processos é utilizado para identificar e avaliar as falhas potenciais que podem ocorrer em um processo de produção ou operação. O objetivo é garantir que o processo seja seguro, confiável e eficiente, identificando as fontes potenciais de problemas e tomando ações preventivas para evitá-los. Ele é realizado com base nas etapas do processo, identificando os riscos associados a cada etapa. O PFMEA é uma ferramenta valiosa para melhorar a eficiência do processo e reduzir custos.
O FMEA de sistemas é utilizado para avaliar a integridade e confiabilidade de um sistema complexo, composto por vários componentes interconectados. O objetivo é identificar e avaliar as potenciais falhas que podem ocorrer no sistema como um todo, bem como as interações entre os componentes. Ele é realizado com base nas especificações do sistema e nos requisitos de desempenho, a fim de garantir a segurança e confiabilidade do sistema como um todo. O SFMEA é uma ferramenta valiosa para garantir que o produto ou processo funcione corretamente no ambiente em que está sendo utilizado.
Cada tipo de FMEA tem uma abordagem específica para identificar e mitigar riscos de falha. A escolha do tipo de FMEA a ser utilizado depende do estágio do ciclo de vida do produto ou processo em que está sendo aplicado e dos objetivos específicos do projeto. Quando usados corretamente, os três tipos de FMEA podem ajudar a garantir a qualidade e segurança do produto ou processo, reduzindo custos e melhorando a eficiência do processo.
O FMEA é uma ferramenta importante para a gestão da qualidade e, para utilizá-la de forma eficaz, é necessário seguir quatro etapas principais:
A primeira etapa do FMEA é a identificação das falhas potenciais. Nessa etapa, é realizada uma análise sistemática de todas as etapas do processo ou produto avaliado, a fim de identificar as possíveis falhas que podem ocorrer. As falhas são classificadas em três categorias: falhas de função (quando o produto ou processo não realiza a função esperada), falhas de desempenho (quando o produto ou processo apresenta desempenho abaixo do esperado) e falhas de confiabilidade (quando o produto ou processo apresenta problemas repetitivos).
Para que essa etapa seja eficaz, é importante seguir um fluxo de trabalho que ajude a garantir a identificação de todas as falhas. Este fluxo pode ser composto das seguintes atividades:
A eficácia da etapa de Identificação de Modos de Falha depende da habilidade da equipe em identificar todos os possíveis modos de falha. Por isso, é importante que a equipe tenha conhecimento técnico e experiência prática no processo avaliado.
A segunda etapa do FMEA consiste na análise dos efeitos das falhas. Nessa etapa, é avaliado o impacto das falhas identificadas. A análise é realizada por meio de brainstorming e/ou outras técnicas, com o objetivo de identificar todas as possíveis causas das falhas e seus efeitos. Abaixo listamos o fluxo de atividades que deve ser seguido para a análise dos efeitos:
A eficácia da etapa de Análise dos Efeitos das Falhas depende da precisão e da abrangência da avaliação dos efeitos das falhas. Por isso, é importante que a equipe tenha conhecimento técnico e experiência prática no produto ou processo em questão.
Na terceira etapa do FMEA, é realizada uma avaliação da gravidade, ocorrência e detecção das falhas, utilizando o RPN (Risk Priority Number). O RPN é uma técnica utilizada para classificar as falhas em termos de gravidade, ocorrência e detecção, de forma a priorizar as ações preventivas e corretivas. A avaliação RPN é realizada através da multiplicação dos valores de gravidade, ocorrência e detecção, que variam de 1 a 10.
Para que essa etapa seja eficaz, é importante seguir um fluxo de atividades que ajude a garantir uma avaliação completa e precisa das causas das falhas. O fluxo de atividades pode seguir os seguintes passos:
A eficácia da etapa de Avaliação das Causas das Falhas depende da qualidade e da profundidade da investigação das causas raiz. Por isso, é importante que a equipe utilize ferramentas e técnicas de análise de causa raiz, como o 5 Porquês, e que conte com a participação de pessoas com conhecimento técnico e experiência prática no produto ou processo em questão. O fluxo de atividades proposto pode ajudar a estruturar o processo de avaliação das causas das falhas, garantindo que todas as possíveis causas sejam consideradas e que as causas raiz sejam corretamente identificadas.
A etapa de Definição de Ações de Melhoria é a quarta e última etapa do FMEA, na qual a equipe utiliza as informações coletadas nas etapas anteriores para definir ações de melhoria que possam eliminar ou reduzir as possíveis falhas identificadas. As ações podem ser divididas em três tipos: ações imediatas (para falhas graves e urgentes), ações preventivas (para evitar a ocorrência de falhas) e ações corretivas (para solucionar problemas que já ocorreram).
Para que essa etapa seja eficaz, é importante seguir um fluxo de atividades que ajude a garantir a definição de ações de melhoria relevantes e prioritárias. O fluxo de atividades pode seguir os seguintes passos:
A eficácia da etapa de Definição de Ações de Melhoria depende da qualidade das ações definidas e da sua correta implementação e acompanhamento. Por isso, é importante que a equipe conte com a participação de pessoas com conhecimento técnico e experiência prática no produto ou processo em questão, e que utilize ferramentas e técnicas de melhoria contínua, como o ciclo PDCA e o Kaizen.
O FMEA é uma ferramenta essencial para a gestão da qualidade, permitindo que as organizações identifiquem e previnam falhas potenciais em produtos, processos e sistemas. A técnica é utilizada em diversos setores da indústria e traz benefícios significativos, como a identificação proativa de falhas, a melhoria contínua e a redução de custos. É importante que as organizações utilizem o FMEA de forma sistemática e contínua, a fim de garantir a confiabilidade de seus produtos e processos.
Quer conhecer mais sobre qualidade?
Leia nossos artigos: Metodologia 5S: O primeiro passo para a gestão da qualidade e Melhorando a Qualidade dos Processos com a Metodologia Six Sigma.
A padronização de processos envolve a criação de procedimentos, métodos e diretrizes consistentes para a…
A competição sempre foi o cerne do ambiente empresarial, impulsionando as empresas a buscarem inovação,…
A gestão da qualidade está ligada diretamente ao sucesso das organização e para ela se…
No mundo empresarial altamente competitivo de hoje, é essencial para as organizações desenvolverem uma compreensão…
A gestão estratégica é uma disciplina fundamental para o sucesso e a sustentabilidade das empresas…
A gestão de processos é um tema fundamental para as organizações que buscam aprimorar sua…
Nosso site utiliza cookies para melhorar sua experiência e ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.
Política de privacidade
View Comments
I enjoyed reading your post from start to finish. The author have kept me interested. Thank you for sharing your thoughts.